A Apple anunciou nesta terça-feira (25) uma nova geração do Mac mini com duas opções de processador: o inédito M6 no modelo de entrada e o M5 Pro na versão mais potente. A pré-venda começou em 30 países e regiões, incluindo os Estados Unidos, com entregas e vendas nas lojas marcadas para 22 de setembro.
O computador conserva o gabinete quadrado de cinco polegadas apresentado em 2024, portanto a mudança principal está dentro da caixa. Nos Estados Unidos, a configuração com M6 custa a partir de US$ 899, enquanto o Mac mini com M5 Pro começa em US$ 1.699; a Apple não informou preço nem disponibilidade no Brasil no comunicado global.
O comunicado da Apple registra a pré-venda em 30 mercados, os preços de US$ 899 e US$ 1.699 nos Estados Unidos e a chegada em 22 de setembro. A cobertura do Engadget confirma os valores e chama atenção para os 256 GB de armazenamento no modelo básico.
A documentação do M6 atribui ao chip 12 núcleos de CPU, 12 de GPU e dois Neural Engines de 16 núcleos. O The Verge confirma que o gabinete permanece igual e que os preços iniciais subiram US$ 100 em relação aos valores mais recentes da geração M4.
M6 pula uma geração
O Mac mini básico passa diretamente do M4 para o M6, sem receber uma versão com M5. O novo chip é fabricado em processo de 2 nanômetros, medida que descreve a geração de produção dos circuitos, e reúne uma CPU de 12 núcleos, uma GPU de 12 núcleos e dois Neural Engines de 16 núcleos dedicados a operações de inteligência artificial.
A divisão da CPU também mudou: são dois núcleos chamados pela Apple de super, quatro de desempenho e seis de eficiência. Em conjunto, eles cuidam tanto de tarefas que dependem de um único núcleo, como partes da navegação e da resposta da interface, quanto de trabalhos paralelos, como compilar um aplicativo ou processar um projeto de vídeo.
A memória unificada começa em 16 GB e pode chegar a 32 GB no modelo M6, com largura de banda de até 170 GB/s. Nesse tipo de arquitetura, processador e GPU acessam o mesmo conjunto de memória, o que reduz cópias de dados, embora a capacidade seja definida na compra e não possa ser ampliada depois pelo usuário.
A Apple diz que o M6 oferece CPU até 40% mais rápida, gráficos e armazenamento até duas vezes mais velozes e desempenho de IA até quatro vezes maior que o Mac mini com M4. Esses números vieram de testes internos feitos em julho com configurações específicas e ainda precisam ser reproduzidos em análises independentes, especialmente porque a fabricante compara resultados máximos de tarefas diferentes.
Entre os ensaios divulgados pela empresa, o processamento de comandos para modelos de linguagem no LM Studio ficou até 4,8 vezes mais rápido que no M4, e o jogo Cyberpunk 2077 teve desempenho até duas vezes maior com traçado de raios. Traçado de raios é a técnica que calcula luz, reflexos e sombras com maior realismo, mas o resultado prático depende da resolução, das opções gráficas e da refrigeração usada no teste.
M5 Pro ocupa o degrau profissional
Quem precisa de mais memória ou conexões mais rápidas encontra uma configuração com M5 Pro, chip já usado pela Apple em outro Mac. Ele pode ter CPU de até 18 núcleos, GPU de até 20 núcleos e 64 GB de memória unificada, com largura de banda de 307 GB/s.
Essa versão mira desenvolvimento de aplicativos, renderização de vídeo, simulações científicas e criação de jogos. A Apple afirma que o processamento de comandos de modelos de linguagem no LM Studio pode ser até quatro vezes mais rápido que no Mac mini com M4 Pro, enquanto a renderização com traçado de raios no Blender chega a 1,4 vez o desempenho da geração anterior.
Os resultados não equivalem a um teste de uso cotidiano. A própria documentação da Apple registra que a comparação com o M4 usou um computador com 32 GB de memória e SSD de 2 TB, enquanto alguns ensaios do M5 Pro foram colocados diante de um antigo M2 Pro com 32 GB de memória e SSD de 8 TB; aplicativo, tamanho do projeto e configuração mudam bastante o placar.
Há ainda uma diferença importante nas portas traseiras. O Mac mini com M6 traz três conexões Thunderbolt 4, enquanto o M5 Pro recebe três portas Thunderbolt 5, padrão que oferece mais largura de banda para monitores, unidades externas e outros acessórios compatíveis.
A mesma caixa recebe rede mais rápida
Na frente, os dois modelos mantêm duas portas USB-C com USB 3 e uma saída para fones de alta impedância. Atrás ficam HDMI, Ethernet e as três conexões Thunderbolt, além da entrada de energia; não há portas USB-A, por isso teclados, mouses e discos antigos podem exigir um adaptador ou um hub.
A conexão de rede cabeada agora é de 2,5 Gb/s como padrão, acima do Ethernet de 1 Gb/s que acompanhava a configuração básica anterior, e pode ser encomendada em versão de 10 Gb/s. Wi-Fi 7 e Bluetooth 6 também entram na ficha, mas o ganho depende de um roteador e de acessórios compatíveis com essas gerações.
No M5 Pro, a Apple propõe ligar vários Mac mini por Thunderbolt 5 para dividir modelos de IA grandes entre as máquinas. É um uso voltado a laboratórios e equipes que já dominam ferramentas de processamento distribuído, não um recurso que transforma vários computadores em um único sistema automaticamente.
A fabricante acrescentou suporte a genlock por USB-C, tecnologia usada para sincronizar com precisão o tempo de uma tela e de uma câmera. O recurso pode interessar a estúdios com gravação multicâmera e inclui o iPhone 17 Pro entre os equipamentos citados pela Apple, mas tende a passar despercebido numa mesa doméstica.
IA local explica parte da aposta
O lançamento dá bastante espaço a agentes de IA executados no próprio computador. Um agente é um programa que usa um modelo para planejar e cumprir várias etapas de uma tarefa, e a execução local pode manter arquivos na máquina e evitar o custo recorrente de uma GPU na nuvem, desde que o modelo caiba na memória disponível.
No M6, o teto de 32 GB limita o tamanho dos modelos e a quantidade de aplicativos abertos ao mesmo tempo. O M5 Pro, com até 64 GB, oferece mais folga, mas o comprador paga pelo computador completo e precisa escolher a memória na encomenda; para muitos usos de programação, o modelo básico ou até um Mac mini M4 continua suficiente.
O Engadget observa que o Mac mini ganhou procura entre pessoas que rodam assistentes e modelos locais de IA, mas critica a combinação de preço maior com apenas 256 GB de armazenamento na configuração de US$ 899. O veículo também considera que donos de uma versão M4 provavelmente não precisam trocar de máquina antes que testes mostrem uma diferença relevante fora dos números promocionais.
O aumento pesa na comparação histórica. O Mac mini M4 estreou em 2024 por US$ 599 nos Estados Unidos, enquanto o novo M6 chega US$ 300 acima desse valor e ainda exige monitor, teclado e mouse comprados separadamente; por outro lado, o gabinete pequeno continua permitindo reaproveitar periféricos que já estão na mesa.
macOS 27 chega depois
As máquinas serão entregues com o macOS 27 Golden Gate, segundo a Apple. O sistema está em teste público e deve ser liberado como atualização gratuita no outono do hemisfério norte, mas recursos podem mudar durante a fase beta e nem todos estarão disponíveis em qualquer idioma ou região.
A prometida Siri AI faz parte desse pacote, porém a Apple informa que o recurso sairá em beta e apenas em inglês no começo. A empresa descreve respostas baseadas em mensagens, e-mails, fotos e no conteúdo exibido na tela, além de integração com a busca Spotlight e com menus do sistema.
A Apple também destaca tarefas de IA em aplicativos como LM Studio, Perplexity, Photoshop, Final Cut Pro e Xcode. O hardware pode acelerar esses programas, mas cada desenvolvedor precisa oferecer suporte aos componentes do chip, e serviços de terceiros podem manter assinaturas, limites ou processamento na nuvem mesmo quando parte do trabalho ocorre localmente.
Em 22 de setembro, o novo Mac mini começa a chegar às mesas dos primeiros compradores nos mercados confirmados. Até lá, quem já usa um M4 pode esperar medições independentes antes de pagar mais por uma caixa externamente igual.
