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Apple anuncia Mac mini com chip M6 por R$ 10.799

O pequeno desktop ganhou mais fôlego para jogos e inteligência artificial, enquanto a configuração de entrada ficou R$ 1.000 mais cara.

Mac mini prateado com chip M6 segurado por uma pessoa
Apple

Notícia

A Apple anunciou na terça-feira (25) uma nova geração do Mac mini com os chips M6 e M5 Pro. No Brasil, o modelo com M6 parte de R$ 10.799, enquanto a versão mais potente começa em R$ 18.999.

O computador manteve o gabinete compacto apresentado na geração anterior, portanto as principais mudanças estão por dentro. A Apple ampliou o número de núcleos, acelerou a memória e o armazenamento e atualizou as conexões sem fio e de rede.

O comunicado brasileiro da Apple confirma os preços de R$ 10.799 e R$ 18.999. O The Verge registrou que os dois modelos subiram US$ 100 diante dos valores anteriores nos Estados Unidos.

A Ars Technica ressalta que ainda não há testes independentes para verificar as promessas de desempenho. O PCWorld aponta que a memória da configuração básica limita o uso de modelos locais maiores.

O M6 estreia no menor Mac

O Mac mini é o primeiro computador da Apple equipado com o M6, chip fabricado em processo de 2 nanômetros. Esse número identifica a geração da tecnologia usada na fabricação e, por si só, não mede a velocidade do computador, mas permite acomodar componentes mais avançados em uma área pequena.

A CPU do M6 tem 12 núcleos: dois núcleos de desempenho máximo, quatro de alto desempenho e seis de eficiência, destinados às tarefas leves e de segundo plano. A geração M4 tinha dez núcleos de CPU, sem a nova categoria de desempenho máximo.

A parte gráfica também passou de dez para 12 núcleos. Cada núcleo da GPU agora inclui um acelerador neural, circuito dedicado a cálculos usados por inteligência artificial, e trabalha junto de dois Neural Engines de 16 núcleos.

Segundo testes feitos pela própria Apple em julho, o Mac mini com M6 oferece desempenho de CPU até 40% maior, gráficos até duas vezes mais rápidos e desempenho geral de IA até quatro vezes superior ao modelo com M4. Esses números são alegações da fabricante, não medições independentes, e usam configurações e programas escolhidos pela empresa.

A Apple diz ainda que o processamento de comandos para modelos de linguagem no LM Studio ficou até 4,8 vezes mais rápido diante do M4. O resultado foi obtido com uma unidade de pré-produção com 32 GB de memória e SSD de 2 TB, portanto não descreve necessariamente o desempenho da configuração básica vendida ao consumidor.

Veículos que acompanharam o lançamento ainda não publicaram testes próprios do novo computador. A Ars Technica observou que não há resultados verificáveis disponíveis e classificou a atualização principalmente como um avanço de especificações, apesar do destaque dado pela Apple ao uso de IA local.

Memória compartilhada vira peça central

O modelo de entrada continua com 16 GB de memória unificada e SSD de 256 GB. Na arquitetura da Apple, CPU e GPU acessam o mesmo conjunto de memória, o que evita algumas cópias de dados e pode ajudar em tarefas gráficas e na execução de modelos de inteligência artificial no próprio computador.

A configuração com M6 aceita até 32 GB, com largura de banda de 170 GB por segundo. A largura de banda indica quanto dado pode circular entre o chip e a memória a cada segundo, mas a capacidade máxima de 32 GB limita o tamanho dos modelos locais que cabem na máquina.

Esse limite importa porque um modelo de linguagem precisa manter seus parâmetros na memória durante o uso. O PCWorld avaliou que 16 GB são pouco para quem compra o Mac mini especificamente para trabalhar com modelos locais maiores e apontou 64 GB como um ponto de partida mais confortável para esse tipo de uso.

Para chegar a 64 GB, porém, o comprador precisa escolher o Mac mini com M5 Pro. Apesar do nome de geração anterior, esse chip ocupa uma categoria superior, com até 18 núcleos de CPU, até 20 núcleos gráficos e largura de banda de 307 GB por segundo.

O M5 Pro também acrescenta aceleradores neurais em todos os núcleos gráficos. A Apple afirma que essa versão processa comandos no LM Studio até quatro vezes mais rápido que o Mac mini com M4 Pro, mas novamente não há teste independente que confirme a comparação.

A diferença entre as duas versões não se resume à IA. A opção com M5 Pro foi feita para trabalhos como desenvolvimento de aplicativos, renderização 3D, edição de vídeo e criação de jogos, enquanto o M6 atende ao uso geral e a projetos que cabem nos 32 GB de memória.

Portas conhecidas e rede mais rápida

Na frente, os dois modelos conservam duas portas USB-C com velocidade de USB 3 e uma conexão para fones de ouvido. Na traseira ficam a saída HDMI, a porta Ethernet e três conexões Thunderbolt, padrão que combina dados, vídeo e energia pelo conector USB-C.

O Mac mini com M6 traz três portas Thunderbolt 4. O modelo com M5 Pro usa Thunderbolt 5, que oferece mais largura de banda para armazenamento externo, monitores e outros acessórios profissionais.

A Apple também elevou a conexão Ethernet padrão de 1 Gb para 2,5 Gb por segundo, mantendo 10 Gb como opção de configuração. Para aproveitar a velocidade maior, roteador, cabos e demais equipamentos da rede precisam ser compatíveis.

Wi-Fi 7 e Bluetooth 6 chegam aos dois modelos por meio do chip N1 da Apple. O Wi-Fi 7 pode aumentar velocidade e reduzir atrasos em redes compatíveis, mas não transforma uma conexão de internet lenta e exige um roteador da mesma geração para entregar todos os benefícios.

No M5 Pro, o Thunderbolt 5 permite ligar vários Mac mini para dividir a execução de um modelo de IA que não caberia em uma única máquina. A técnica não soma os computadores de forma automática: ela depende de software preparado para distribuir o processamento e da conexão rápida entre as unidades.

O preço subiu junto com o desempenho

A página brasileira da Apple lista o Mac mini com M6 por R$ 10.799 e o modelo com M5 Pro por R$ 18.999. Os valores para educação começam em R$ 9.599 e R$ 17.799, respectivamente.

Nos Estados Unidos, a configuração básica com M6 custa US$ 899 e inclui 16 GB de memória e 256 GB de armazenamento. O modelo com M5 Pro parte de US$ 1.699, com 24 GB de memória e SSD de 512 GB.

O The Verge calcula que as duas configurações ficaram US$ 100 mais caras que os preços imediatamente anteriores da geração M4. A comparação pede contexto: a Apple já havia aumentado os valores dos modelos antigos em junho, de modo que a distância para o preço original de lançamento do M4 é ainda maior.

O armazenamento básico de 256 GB continua sendo um ponto apertado para um computador vendido com foco em desenvolvimento, jogos e IA local. Aplicativos de criação, projetos de código, jogos e arquivos de modelos podem ocupar dezenas ou centenas de gigabytes, o que empurra parte dos compradores para um SSD externo ou uma configuração mais cara.

A fabricante afirma que o armazenamento interno agora alcança o dobro da velocidade da geração anterior. Como os primeiros computadores ainda não chegaram aos consumidores, faltam medições que mostrem o ganho na configuração de 256 GB e seu efeito em abertura de programas, cópia de arquivos e uso cotidiano.

macOS 27 vem instalado

Os novos Mac mini sairão de fábrica com o macOS 27 Golden Gate. O sistema inclui a nova Siri com IA, recursos da Apple Intelligence e mudanças de interface, mas parte dessas funções ainda está em teste e pode variar conforme o idioma e a região.

A Apple informa que a Siri com IA chegará como beta inicialmente em inglês. O comunicado brasileiro não promete a mesma disponibilidade imediata em português, então a presença do M6 não significa que todos os recursos de software anunciados funcionarão no país desde o primeiro dia.

Para desenvolvimento, a empresa destaca a possibilidade de rodar modelos localmente, sem enviar cada comando a um serviço na nuvem. Isso pode reduzir custos por uso e manter dados na máquina, embora desempenho, consumo de energia e compatibilidade dependam do modelo e do aplicativo escolhido.

A Ars Technica relaciona a estratégia ao suporte do macOS para comunicação de baixa latência entre Macs via Thunderbolt e ao MLX, conjunto aberto de ferramentas da Apple para aprendizado de máquina. Entusiastas e profissionais já conectam vários Mac mini para executar modelos que exigem mais memória do que uma unidade oferece.

Essa abordagem não torna o Mac mini uma substituição direta para placas da Nvidia em todo projeto. Muitos programas de IA foram construídos para CUDA, plataforma de computação da Nvidia, e podem precisar de adaptações ou apresentar diferenças de desempenho no ecossistema da Apple.

Entregas começam em setembro

A Apple abriu a pré-venda em 25 de agosto em 30 países e regiões e marcou o início das entregas e da presença nas lojas para 22 de setembro. O comunicado cita os Estados Unidos entre os mercados iniciais, mas não apresenta a lista completa nem confirma expressamente o Brasil nessa primeira etapa.

A página brasileira já divulga os preços locais, porém não informa uma data específica de venda no país. Assim, os valores em reais são oficiais, enquanto a chegada em 22 de setembro não deve ser tratada como uma promessa para o mercado brasileiro sem confirmação adicional da Apple.

Na mesa, o gabinete continua quase igual, mas a escolha ficou mais difícil: economizar com o M6 e seus 32 GB máximos ou pagar pelo M5 Pro para abrir espaço a projetos maiores.