A Garmin apresentou em 25 de agosto de 2026 os relógios multiesportivos fēnix 9 e fēnix 9 Pro. A geração mantém a proposta de acompanhar treinos e navegação longe da cidade, mas amplia o armazenamento, acelera os mapas e cria uma divisão mais clara entre o modelo padrão e as versões Pro.
O fēnix 9 chega em caixas de 43, 47 e 51 mm, enquanto o fēnix 9 Pro acrescenta opções com conexão inReach por satélite e LTE, a rede móvel usada pelo relógio sem depender do telefone. A empresa também oferece telas AMOLED, conhecidas pelo preto profundo e alto contraste, e variantes Pro Solar com painel de baixo consumo e recarga pela luz.
A Garmin detalha a linha, os limites do inReach e as condições usadas na estimativa de bateria. The Verge e Android Authority confirmam preços e principais mudanças de hardware, sem tratar as promessas da fabricante como testes independentes.
Nos Estados Unidos, a Garmin informa preço inicial de US$ 999,99 para o fēnix 9 e de US$ 1.099,99 para o fēnix 9 Pro. A fabricante diz que os relógios estão disponíveis, porém não anunciou preço, lançamento ou catálogo para o Brasil no comunicado global.
A linha cresce em três tamanhos
A estrutura começa com o fēnix 9, vendido nos três tamanhos e equipado com lente de safira resistente a riscos. Segundo a Garmin, os botões foram vedados contra vazamentos e o relógio suporta mergulho até 40 metros, uma combinação pensada para quem alterna corrida, trilha, natação e atividades na água.
A tela AMOLED do modelo padrão seria duas vezes mais brilhante que a do fēnix 8, de acordo com a fabricante. A Garmin não publicou no anúncio uma medição independente dessa diferença, por isso o ganho deve ser lido como especificação de produto, e não como resultado de teste em ambiente externo.
A memória interna dobrou de 32 GB para 64 GB em relação à geração anterior. A capacidade adicional pode guardar o dobro de mapas e até 7.000 músicas, segundo a empresa, o que reduz a necessidade de levar o celular em um percurso com navegação e áudio baixados.
A memória RAM, usada pelo sistema para manter dados disponíveis durante a navegação, cresceu 50%. Junto de um novo mecanismo de mapas, ela permitiria deslocar a visualização até 30% mais rápido, números divulgados pela Garmin e ainda não aferidos pelas publicações que noticiaram o lançamento.
Uma nova visão em perspectiva coloca mais detalhes do trecho próximo e do caminho adiante na mesma tela. A ideia é facilitar a leitura de curvas e mudanças de direção sem abandonar os mapas roteáveis já instalados no relógio, que conseguem calcular um percurso em vez de apenas exibir uma imagem estática.
Titânio e mais luz no Pro
O fēnix 9 Pro concentra as mudanças de construção. Ele é o primeiro relógio da família fēnix com uma caixa de titânio, material que a Garmin combina com plástico por um processo de moldagem para reduzir a espessura sem abrir mão da resistência esperada de um modelo para aventura.
Nas versões AMOLED, o painel do Pro alcança até 3.000 nits, unidade que indica o brilho emitido pela tela. Esse valor é uma especificação da fabricante e ajuda a dimensionar a promessa de leitura sob o sol, mas não substitui uma comparação lado a lado com relógios anteriores.
O fēnix 9 Pro de 51 mm recebe ainda a primeira tela AMOLED de 1,5 polegada da linha. A Garmin afirma que a área visível cresceu 15% sobre o fēnix 8 sem aumentar o tamanho da caixa, enquanto os relógios menores continuam como alternativas para pulsos que não acomodam bem o corpo de 51 mm.
Há modelos Pro com tela solar nos tamanhos de 47 e 51 mm. Nesse caso, o painel prioriza visibilidade sob luz forte e autonomia, em vez da aparência mais viva do AMOLED, diferença importante para quem escolhe entre semanas longe da tomada e uma interface de maior contraste.
A lanterna de LED integrada também ganhou luz verde, cor usada para preservar melhor a adaptação dos olhos à escuridão. O recurso pode servir para consultar equipamentos dentro de uma barraca ou caminhar à noite sem a claridade branca mais intensa, embora seu alcance real dependa de testes práticos.
Satélite não vem em todo Pro
A conexão inReach aparece em versões selecionadas do fēnix 9 Pro nos três tamanhos. Ela reúne LTE e comunicação por satélite para chamadas, mensagens e pedido de socorro pelo pulso, mas exige um plano ativo e não deve ser confundida com um recurso incluído automaticamente em qualquer relógio Pro.
A própria Garmin alerta que cobertura e funções mudam conforme a região e que a comunicação por satélite tem limitações quando comparada a outros aparelhos inReach. Antes de tratar o relógio como equipamento de emergência, o comprador precisa conferir países atendidos, visão livre do céu, assinatura e restrições do serviço no local da viagem.
Com LTE, o Garmin Locate permite que familiares consultem a posição do usuário pelo aplicativo Garmin Messenger. O LiveTrack também passa a avisar contatos quando uma atividade começa e compartilha o andamento do treino, enquanto previsões do tempo para um ponto específico podem chegar por LTE ou satélite.
A central Garmin Response, que funciona 24 horas, recebe pedidos de SOS nas versões compatíveis. Essa ligação oferece uma camada adicional de contato quando o telefone fica para trás, mas não elimina planejamento de rota, bateria disponível e meios alternativos de comunicação em áreas remotas.
Treinos viram uma história
O Garmin Epic é a principal novidade de software apresentada com a geração. Ele agrupa atividades registradas durante dias, semanas ou meses em uma história no Garmin Connect, com dados de saúde e desempenho, fotos e uma página que pode ser compartilhada com outras pessoas.
Em vez de deixar cada caminhada, pedal ou treino de força isolado no histórico, o recurso pode reunir uma viagem inteira. A proposta faz sentido para travessias e provas por etapas, mas a utilidade cotidiana dependerá de como o aplicativo organiza os dados e de quanto trabalho manual será necessário para montar cada história.
As métricas de resistência ganharam zonas de stamina e uma curva que mostra a mudança do fôlego ao longo do tempo. Stamina é a estimativa de energia disponível durante o esforço, e a Garmin diz usar histórico de treinos e evolução do condicionamento para ajudar o atleta a controlar o ritmo.
O remo em ambiente fechado passa a calcular VO2 máximo, uma estimativa da capacidade do corpo de usar oxigênio, e curva de potência. Para obter esses dados, porém, é necessário usar uma máquina de remo equipada com medidor de potência, requisito que limita a novidade fora de academias e equipamentos compatíveis.
Quem treina com mochila pode alterar durante a atividade o peso carregado, seguir sessões da GORUCK e definir metas com cargas de até 100 kg. O relógio usa essa informação para contextualizar esforço e calorias, mas a precisão continua sujeita aos sensores, ao perfil informado e ao algoritmo da Garmin.
Autonomia depende da tela e do sol
Na maior caixa, a Garmin promete até 29 dias de bateria para o fēnix 9 em modo de relógio inteligente. O fēnix 9 Pro com a maior tela AMOLED chegaria a 31 dias, enquanto as versões solares alcançariam até 57 dias nas condições estabelecidas pela empresa.
O número de 57 dias pressupõe uso durante todo o dia e três horas diárias ao ar livre sob iluminação de 50.000 lux. É uma condição específica de exposição, portanto sombra, estação do ano, uso do GPS, brilho, LTE e comunicação por satélite podem reduzir bastante o intervalo entre cargas.
A Garmin também anunciou pulseiras ComfortFit para os novos relógios. Elas usam tecido com trama dividida, material elástico e resistente à umidade, além do encaixe QuickFit para trocar a pulseira sem desmontar os pinos da caixa.
Preço alto separa o público
O valor inicial de US$ 999,99 coloca o fēnix 9 acima de relógios inteligentes voltados ao uso geral. O custo acompanha recursos especializados de mapas, mergulho, métricas esportivas e longa autonomia, mas torna a geração uma compra direcionada a quem realmente usa navegação e treino avançado.
No anúncio oficial, a Garmin afirma que a linha está disponível agora. O The Verge registrou pedidos a partir de 28 de agosto, diferença de calendário que pode refletir a abertura das lojas ou variantes específicas; sem página brasileira confirmada, não há base para converter os preços nem prometer venda local.
Na trilha, a diferença aparece na escolha feita antes de sair: AMOLED para uma tela mais viva, Solar para prolongar a bateria e inReach para manter um canal de contato quando o celular fica em casa.
