O Google passou a identificar quais celulares rodam o Gemini Nano 4, versão de sua inteligência artificial feita para trabalhar dentro do aparelho. A lista publicada na documentação do ML Kit reúne quatro modelos da linha Pixel 11 e três dobráveis recentes da Samsung.
Pixel 11, Pixel 11 Pro, Pixel 11 Pro XL e Pixel 11 Pro Fold aparecem ao lado de Galaxy Z Flip8, Galaxy Z Fold8 e Galaxy Z Fold8 Ultra. A página separa esses sete aparelhos na categoria “nano-v4”, sem incluir modelos mais antigos nessa versão.
A mudança foi localizada pelo 9to5Google em 27 de agosto de 2026, às 21h59 UTC, e pode ser conferida na documentação mantida pelo próprio Google.
A documentação do ML Kit separa Pixel 11, Pixel 11 Pro, Pixel 11 Pro XL, Pixel 11 Pro Fold, Galaxy Z Flip8, Z Fold8 e Z Fold8 Ultra na linha “nano-v4”. O 9to5Google localizou a atualização e publicou a lista em 27 de agosto, às 21h59 UTC.
O guia para selecionar o modelo explica as opções estável, prévia, completa e rápida. O início rápido da Prompt API detalha download, limite de entrada, consulta de disponibilidade e restrição ao primeiro plano.
A inteligência artificial fica no celular
Gemini Nano é uma família de modelos menores, preparada para executar tarefas no próprio Android. Em vez de enviar todo pedido a um servidor, o aparelho pode processar texto, imagem ou áudio localmente, conforme a função usada e a versão instalada.
O Google oferece esse acesso a aplicativos por meio das APIs de inteligência artificial do ML Kit, conjunto de ferramentas para quem desenvolve programas Android. Elas usam o AICore, serviço do sistema que administra o modelo, o download e o isolamento dos dados de cada aplicativo.
Segundo a documentação, entrada, processamento e resposta permanecem no dispositivo quando essas APIs locais são usadas. Isso permite que uma função continue disponível sem conexão confiável e evita uma cobrança de servidor a cada pedido, embora o aplicativo ainda precise respeitar os limites do aparelho.
A lista de sete celulares vale especificamente para a Prompt API na linha “nano-v4”. Essa interface aceita instruções personalizadas em texto, ou uma combinação de texto e imagem, e devolve texto comum ou uma resposta estruturada para o aplicativo.
Ela não deve ser confundida com a relação maior de aparelhos compatíveis com funções prontas, como resumo, revisão de escrita, reformulação de mensagens e descrição de imagens. Para essas tarefas, a página do Google cita modelos Pixel, Galaxy, Motorola, OnePlus, Xiaomi e de outras marcas que usam versões anteriores do Gemini Nano.
Quatro Pixel e três Galaxy
Os quatro Pixel 11 usam o Tensor G6, chip que o Google apresentou em 12 de agosto. A fabricante afirma que a parte dedicada à inteligência artificial tem 50% mais capacidade de cálculo e pode executar tarefas locais até 3,5 vezes mais rápido, com até 3,5 vezes menos energia que a geração anterior.
Na Samsung, a lista cobre somente os dobráveis Galaxy Z Flip8, Z Fold8 e Z Fold8 Ultra. Os Galaxy S26, S26+ e S26 Ultra aparecem na linha “nano-v3”, por isso a página não confirma que receberam a quarta versão.
O mesmo vale para Pixel 10, Pixel 10 Pro, Pixel 10 Pro XL e Pixel 10 Pro Fold. Eles continuam listados como Nano 3, enquanto a série Pixel 9 também fica na terceira geração para a Prompt API.
Essa separação importa para quem cria um recurso que depende de uma capacidade nova. Um aplicativo pode encontrar o Gemini Nano instalado e ainda assim não ter acesso à combinação de versão, estágio e desempenho solicitada pelo programador.
O Google fornece o método `getBaseModelName()` para o programa descobrir qual versão existe no telefone. Antes de iniciar uma tarefa, o aplicativo também pode consultar o estado do recurso e saber se ele está disponível, se precisa de download ou se não funciona naquela configuração.
Aplicativo precisa preparar uma saída
A documentação orienta o desenvolvedor a escolher entre modelo estável e modelo em prévia. A opção estável usa a versão testada e distribuída aos consumidores, enquanto a prévia abre acesso antecipado a funções que ainda podem mudar.
Também é possível priorizar o modelo completo, voltado à qualidade, ou uma variante rápida para respostas com menor espera. Nem todo celular oferece todas as combinações, por isso o Google recomenda consultar a disponibilidade e voltar à opção estável quando a prévia não estiver presente.
Esse retorno é chamado de fallback, uma alternativa usada quando a primeira escolha não pode rodar. Sem ele, uma função pode trabalhar no telefone usado durante o desenvolvimento e simplesmente desaparecer para outra pessoa com um modelo compatível, mas com configuração diferente.
A Prompt API está em versão beta no pacote indicado pelo Google. Isso significa que já pode ser testada por programadores, mas sua interface e seu comportamento ainda não têm a mesma promessa de estabilidade de uma versão final.
O limite de entrada é de 4 mil tokens, unidades em que o modelo divide o texto e outros dados para processá-los. O Google aproxima essa quantidade de 3 mil palavras em inglês e recomenda evitar usos que exijam respostas maiores que 4 mil tokens.
Há ainda uma cota de processamento por aplicativo. Muitos pedidos em pouco tempo podem devolver o erro de sistema ocupado, enquanto uso prolongado pode atingir um limite ligado ao consumo de bateria.
O processamento local tem condições
A inteligência artificial só pode ser chamada quando o aplicativo está aberto em primeiro plano. O Android bloqueia a execução em segundo plano, mesmo quando o programa usa um serviço que normalmente manteria uma tarefa ativa.
O modelo também pode não estar pronto logo após a configuração ou a restauração do celular. O AICore precisa baixar dados e concluir a inicialização, processo que a documentação diz levar de alguns minutos a algumas horas quando o aparelho está conectado à internet.
Se o estado indicar que o recurso pode ser baixado, o aplicativo deve iniciar essa etapa e acompanhar o resultado antes de pedir uma resposta. Tratar a ausência temporária como defeito permanente deixaria a função indisponível em um telefone que aparece na lista oficial.
O Google afirma que o AICore isola os pedidos para proteger os dados de cada programa. Ainda assim, quem desenvolve continua responsável pela segurança do aplicativo, pelas instruções enviadas e pela forma como a resposta é apresentada ao usuário.
Uma saída gerada localmente também pode errar, inventar informações ou interpretar uma imagem de forma incorreta. Rodar no aparelho muda onde o cálculo acontece, não transforma o resultado em fato confirmado.
Gemini Intelligence usa a mesma base
O 9to5Google relaciona a atualização ao Gemini Intelligence, conjunto de funções que combina recursos locais e serviços do Google nos celulares mais novos. Nos dobráveis da Samsung, ele inclui automações entre aplicativos; na linha Pixel 11, aparece em recursos como Rambler e Proactive Assistance.
A lista de requisitos citada pela reportagem volta a mencionar Nano 3 ou superior, 12 GB ou mais de memória e um chip de categoria avançada. Ela também fala em cinco atualizações do Android, seis anos de correções de segurança e metas de estabilidade para fabricantes parceiras.
Essas condições do Gemini Intelligence não significam que todo aparelho com Nano 3 receberá imediatamente todas as funções. O próprio texto observa que ainda não está definido se Pixel 10 e Galaxy S26 ganharão o pacote completo, e o Google já disse que os recursos chegarão em ondas.
Da mesma forma, a presença do Nano 4 não libera automaticamente cada ferramenta em qualquer país ou idioma. Disponibilidade pode variar conforme a configuração do celular e os modelos que foram baixados, e algumas experiências do Gemini têm regras próprias de região, idade ou assinatura.
A lista serve de mapa para testes
Para quem desenvolve, os sete aparelhos formam a relação inicial em que a quarta geração pode ser verificada. O Android ainda exige que o programa detecte a versão real e ofereça uma alternativa, pois documentação, download e configuração podem mudar depois da instalação.
Uma equipe pode usar o Nano 4 para resumir conteúdo, interpretar uma imagem ou gerar texto sem mandar o material a um servidor próprio. Antes de publicar, precisa testar tempo de resposta, aquecimento, consumo de bateria e qualidade nos formatos completo e rápido.
Para o consumidor, a lista não anuncia um aplicativo novo nem uma atualização imediata para todos os Galaxy e Pixel. Ela mostra onde o modelo local mais recente está disponível para os programas que usam o ML Kit e onde uma função feita para Nano 4 pode rodar hoje.
Ao abrir um recurso compatível em um Pixel 11 ou dobrável Galaxy da lista, o processamento pode acontecer dentro do próprio telefone. Em outro aparelho, o desenvolvedor precisa oferecer uma versão anterior, recorrer à nuvem com consentimento ou deixar claro que aquela função ainda não está disponível.
