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Google Play vai limitar memória de apps e exigir login restaurado

A partir de 2027, trocar de celular Android deve exigir menos senhas, enquanto aplicativos pesados poderão perder espaço na loja.

Ilustração oficial do Google Play sobre desempenho, memória e qualidade de aplicativos
Google

Notícia

O Google anunciou em 26 de agosto novos requisitos técnicos para aplicativos e jogos distribuídos pela Play Store. A partir de fevereiro de 2027, a empresa avaliará consumo de memória, uso de imagens na memória e otimização do código; em abril, aplicativos com conta também terão de restaurar automaticamente o login quando o usuário migrar para outro aparelho Android.

As medidas afetam dois lados da loja. Para quem desenvolve, elas criam metas que podem interferir na visibilidade e na capacidade de publicar atualizações; para quem troca de celular, a promessa é encontrar mais aplicativos já conectados à conta e reduzir a sequência de senhas pedidas durante a configuração.

O anúncio do Android Developers Blog apresenta as duas frentes da mudança, enquanto a documentação do Play Console fixa os limites, prazos e exceções. O TechCrunch e o 9to5Google confirmaram a política de forma independente.

Memória vira critério da Play Store

O primeiro conjunto de regras mede a memória usada pelo aplicativo depois que ele começa a rodar, tanto na tela quanto em segundo plano. O Google chama a métrica principal de memória anônima residente mais swap: na prática, ela reúne áreas privadas usadas pelo programa, como a memória do código em Java ou Kotlin, alocações nativas e dados que o sistema comprimiu na zRAM para aliviar a RAM física.

A avaliação não será feita por uma única execução. O Google Play usará dados anônimos e agregados de aparelhos cujos usuários aceitaram compartilhar diagnósticos, observará uma janela móvel de 28 dias e comparará o percentil 90, isto é, o ponto abaixo do qual ficam 90% das amostras coletadas em um dia.

Os limites mudam conforme a quantidade de RAM do aparelho, o estado do aplicativo e sua categoria na loja. Em um celular classificado na faixa de 4 GB, por exemplo, um app comum poderá usar até 2 GB no primeiro plano e 1 GB ao prestar um serviço perceptível ou ficar em segundo plano; para um jogo, os limites equivalentes serão de 2,25 GB e 2 GB.

As faixas sobem em aparelhos com mais memória. Em celulares de 8 GB, aplicativos terão teto de 2,25 GB no primeiro plano e 1,5 GB em segundo plano, enquanto jogos poderão chegar a 3,5 GB e 2,75 GB, respectivamente. O documento não define teto para aparelhos com menos de 3,2 GB de memória total nem para os que ultrapassam 18.432 MB.

Essa distinção importa porque o número anunciado na caixa nem sempre corresponde ao total que o Android enxerga. A fabricante pode vender um telefone como modelo de 4 GB, mas parte da memória fica reservada para o sistema e outros componentes; por isso, o Google usa intervalos de memória total na classificação.

Imagens guardadas também entram na conta

Há uma régua separada para bitmaps, as imagens já decodificadas que um aplicativo mantém na memória para desenhar a interface. A Play Store considerará mau comportamento passar de 200 MB enquanto o app presta um serviço visível ao usuário ou permanece em segundo plano, e de 400 MB quando ele está guardado em cache.

O Google não fixou limite equivalente para o primeiro plano, quando a imagem pode estar efetivamente na tela. A empresa explica que fotos e ilustrações não precisam permanecer abertas na memória por muito tempo depois que a interface deixa de ser visível, embora reserve uma margem porque a medição pode ocorrer logo após essa mudança de estado.

Para encontrar vazamentos, o painel Android Vitals ganhará filtros por estado do app, faixa de RAM, versão do sistema e versão publicada. Também será possível consultar as métricas pela interface de programação do Google Play Developer Reporting e cruzá-las com ferramentas como o Android Studio Memory Profiler, que mostra quais objetos continuam ocupando espaço.

A orientação técnica inclui liberar recursos quando o Android envia o aviso `onTrimMemory()`, reduzir imagens ao tamanho em que serão exibidas e evitar referências permanentes a telas ou bitmaps. Essas são recomendações do Google, não medições independentes de que os aplicativos ficarão mais rápidos ou gastarão menos bateria depois da mudança.

Código terá meta mínima de otimização

A partir de fevereiro, pacotes com mais de 10 MB de código DEX no caso de aplicativos e mais de 50 MB no caso de jogos deverão atingir ao menos 25% em três indicadores: redução, otimização e ofuscação. DEX é o formato executado pelo Android, enquanto ofuscação troca nomes legíveis por identificadores menores e mais difíceis de interpretar.

O Google recomenda o R8, ferramenta incluída no processo de compilação do Android, mas aceitará programas equivalentes. A exigência vale para todos os formatos de dispositivo, ao contrário dos limites de memória, que no primeiro momento se aplicam somente a celulares e tablets.

Não cumprir as metas poderá reduzir a exposição do aplicativo na loja e limitar novos envios pelo Play Console, o painel usado para publicar na Play Store. O Google ainda não detalhou qual será a intensidade dessas restrições e diz que divulgará mais informações antes do início da fiscalização.

A empresa relaciona a mudança a restrições na oferta de memória para celulares e ao aumento do custo da RAM, cenário atribuído à demanda de centros de dados de inteligência artificial. Essa justificativa parte do Google; os limites documentados mostram como a política funcionará, mas não quantificam quanto cada aparelho ou fabricante perdeu em memória por causa do mercado de IA.

Celular novo poderá abrir apps já conectados

O segundo prazo chega em abril de 2027. Aplicativos que oferecem login opcional ou obrigatório terão de usar a API Restore Credentials, a interface do Android que guarda uma chave de restauração e permite recuperar a sessão quando o dono copia os dados do aparelho antigo ou restaura um backup na nuvem.

A regra vale para celulares e tablets a partir do Android 9. Ela não obriga um aplicativo a criar contas, não conecta quem estava usando o serviço como visitante e não restaura uma sessão que havia sido encerrada antes da troca de aparelho.

A chave também não substitui todas as etapas de segurança. Segundo a documentação, ela recupera a identidade e a sessão principal, mas o aplicativo ainda pode pedir uma confirmação adicional para ações sensíveis ou uma nova autorização para acessar serviços como o Google Drive.

Aplicativos financeiros, de saúde e de governo, entre outros sujeitos a regras rígidas, poderão pedir uma exceção pelo Play Console antes do prazo. Programas privados de empresas e soluções de gerenciamento corporativo ficam fora da exigência, enquanto integrações com a tecnologia anterior Block Store serão aceitas se estiverem em produção até 30 de setembro de 2026.

Jogos também ficam fora da obrigação de restaurar o login por enquanto. O Google afirma que publicará em 2027 uma orientação específica para os sistemas de conta mais complexos usados nesse mercado, embora já recomende a nova interface para títulos vinculados a um único usuário.

A implementação poderá ser conferida pela recuperação bem-sucedida da chave no aparelho novo, e equipes que não atenderem à regra serão avisadas. A documentação ainda deixa pontos em aberto, como o processo definitivo para solicitar exceções e a forma exata de penalizar aplicativos que ultrapassarem os limites.

Ao ligar um Android novo em 2027, você poderá encontrar mais aplicativos prontos para abrir na conta certa. Nos bastidores, cada um deles terá de provar à Play Store que cabe na memória disponível.