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Hisense A10 Ultra junta tela de tinta eletrônica e LCD removível

O celular chinês troca de vocação quando uma tela colorida de 4,96 polegadas é encaixada por ímãs na parte traseira.

Hisense A10 Ultra com tela de tinta eletrônica e módulo LCD colorido removível
Hisense

Notícia

A Hisense começou a vender na China nesta sexta-feira, 28 de agosto, o A10 Ultra, celular que combina uma tela frontal de tinta eletrônica com um módulo LCD colorido removível na traseira. O acessório se prende por ímãs e permite escolher entre leitura em preto e branco ou imagens coloridas com movimento mais fluido.

A tela principal usa a tecnologia E Ink Carta 1300, semelhante à de leitores digitais. Ela mede 6,13 polegadas, tem resolução de 1.648 por 824 pixels e densidade de 300 pixels por polegada, número que indica quantos pontos formam textos e imagens em cada polegada do painel.

A página oficial da Hisense mostra o A10 com os dois painéis e publica manuais separados para o telefone e o LCD conectado à traseira. O Notebookcheck confirmou as especificações e a venda na China em 28 de agosto.

A cobertura chinesa publicada no 163.com detalha os seis preços e informa que o A10 Ultra inclui o módulo colorido, enquanto o A10 Pro apenas aceita o acessório.

O módulo traseiro tem LCD de 4,96 polegadas e acompanha o A10 Ultra. Quem compra o A10 Pro recebe o telefone com os contatos e o anel magnético preparados, mas precisa adquirir a segunda tela separadamente.

A tela de leitura fica na frente

Tinta eletrônica não ilumina e redesenha a imagem como um LCD comum. As partículas do painel formam a página e conseguem mantê-la visível com pouco consumo de energia, enquanto a luz do ambiente ajuda na leitura em vez de competir com a tela.

Essa característica favorece livros, documentos e páginas com muito texto, sobretudo sob luz forte. Em troca, a atualização é mais lenta e a escala de cinza não reproduz a cor de uma fotografia, de um mapa ou de um vídeo.

A Hisense lista 256 níveis de cinza para o A10 e uma iluminação frontal com ajuste de cor e brilho em 36 níveis. A luz fica voltada para a superfície do painel, solução usada em leitores digitais para permitir a leitura noturna sem colocar uma fonte luminosa diretamente atrás da imagem.

A fabricante apresenta a tela como adequada a longos períodos de leitura e afirma que ela não produz cintilação nem luz azul. Essas são alegações de marketing da Hisense, e as fontes consultadas não publicaram medições independentes de conforto visual, reflexo ou autonomia.

O aparelho também traz um sistema de leitura com recursos de inteligência artificial. O material oficial cita resumo de capítulos, anotações por voz e leitura em voz alta, mas não detalha nas páginas acessíveis quais idiomas são aceitos nem se parte do processamento depende de uma conexão.

O segundo painel entra por ímãs

O LCD colorido se alinha ao anel magnético e recebe dados pelos contatos metálicos da traseira. Não é uma capa com desenho impresso nem uma tela de baixa velocidade: o módulo foi feito para aplicativos em que cor e movimento fazem diferença.

A solução mantém o painel de tinta eletrônica como rosto principal do telefone. Ao encaixar a tela colorida atrás, a pessoa passa a alternar fisicamente os lados do aparelho conforme o conteúdo, em vez de trocar um modo de imagem dentro do mesmo painel.

A reportagem do Notebookcheck cita vídeo, jogos e transmissão de conteúdo como usos do LCD. Isso não transforma o A10 Ultra em celular voltado a jogos, pois a publicação o classifica como intermediário e não apresentou testes de desempenho ou temperatura.

Quando o módulo é retirado, o anel magnético pode receber um carregador sem fio compatível. O Notebookcheck informa potência de até 15 W por indução, enquanto a porta USB-C aceita carregamento com fio de até 18 W.

O encaixe cria uma escolha prática: o mesmo espaço traseiro serve à tela ou ao carregador magnético. As fontes não indicam que seja possível manter o LCD instalado e carregar sem fio ao mesmo tempo, portanto essa combinação não deve ser presumida.

Carta 1300 recebe ajuda de um chip próprio

A tela E Ink é controlada por um componente T2000, conhecido como controlador de temporização. Ele organiza a atualização dos pontos do painel e ajuda o sistema a lidar com a resposta diferente da tinta eletrônica.

Esse trabalho importa porque um telefone exibe rolagem, teclado e transições com muito mais frequência do que um livro digital. Ainda assim, nenhuma ficha substitui um teste: as fontes iniciais não mediram rastros deixados pela imagem, velocidade de rolagem ou atraso ao digitar.

No processamento geral, o A10 usa o Qualcomm Dragonwing Q-6690, também identificado como QCM6690. É um chip de oito núcleos fabricado em processo de 4 nanômetros e voltado a equipamentos conectados e terminais empresariais, não um processador de topo para celulares.

As configurações oferecidas combinam 8 GB de memória com 128 GB ou 256 GB de armazenamento, além de uma versão com 12 GB e 512 GB. Memória mantém aplicativos em uso, enquanto armazenamento guarda sistema, livros, fotos e outros arquivos.

Android 16 mantém os aplicativos de celular

O A10 sai com Android 16, o que o separa de leitores digitais mais fechados. Segundo o Notebookcheck, o sistema aceita a Google Play Store, mas a Hisense ainda não anunciou uma edição internacional nem explicou como os serviços do Google serão oferecidos fora da configuração chinesa.

A ficha inclui Wi-Fi 6, 5G, NFC e emissor infravermelho. NFC é a conexão por aproximação usada em cartões, acessórios e pagamentos compatíveis, enquanto o infravermelho permite controlar televisores e outros aparelhos que aceitam comandos desse tipo.

A câmera traseira tem 48 megapixels e a frontal, 8 megapixels, conforme a cobertura do lançamento. Esses números descrevem a resolução dos sensores, não a qualidade final das fotografias, que também depende de lente, processamento, foco e desempenho em pouca luz.

A bateria tem 4.000 mAh. A capacidade é menor que a de muitos celulares atuais, mas a tela de tinta eletrônica tende a gastar menos ao exibir uma página parada; a autonomia real com o LCD conectado ainda não foi medida pelas publicações consultadas.

A Hisense fala em um aparelho para leitura, anotações e tarefas cotidianas. Sem testes independentes, não é possível transformar essa proposta em promessa de dias específicos longe da tomada ou afirmar que o módulo colorido terá o mesmo consumo de uma tela integrada.

Ultra inclui o LCD na caixa

A linha tem A10 Pro e A10 Ultra, e a diferença mais visível está no pacote. O Ultra inclui o painel colorido magnético, enquanto o Pro conserva o encaixe e os contatos para quem quiser comprar o acessório depois.

Na China, o A10 Pro custa 2.799 yuans com 8 GB e 128 GB, 2.999 yuans com 8 GB e 256 GB e 3.499 yuans com 12 GB e 512 GB, segundo a cobertura local reproduzida pelo portal 163.com. Esses valores pertencem ao mercado chinês e não devem ser convertidos em preço de venda no Brasil.

O A10 Ultra aparece por 3.198, 3.398 e 3.898 yuans nas mesmas três configurações. A diferença fica perto de 400 yuans e corresponde ao conjunto que já traz a tela LCD removível.

O Notebookcheck registra os preços de forma arredondada, com acréscimo de 400 yuans sobre cada A10 Pro. A pequena diferença de um ou dois yuans em relação à listagem chinesa não muda a posição dos modelos, mas recomenda conferir a loja antes da compra.

As opções de cor divulgadas são branco e verde. O peso de 190 gramas citado pela imprensa chinesa precisa ser lido com cautela porque o material consultado não esclarece se inclui o módulo LCD preso ao aparelho.

Venda permanece limitada à China

A Hisense não confirmou lançamento internacional do A10 Pro ou do A10 Ultra. Também não há preço, homologação, garantia ou assistência anunciados para o Brasil, por isso uma oferta de importador não equivale a uma venda oficial da fabricante no país.

Importar um telefone chinês exige conferir bandas de 4G e 5G, idioma do sistema, serviços do Google e compatibilidade com aplicativos bancários. Também é preciso considerar impostos, prazo de entrega e a forma de acionar garantia quando a loja fica em outro país.

O painel removível acrescenta outra dependência. Uma peça específica danificada ou perdida pode ser difícil de substituir fora do mercado original, e a Hisense não informou se venderá o módulo avulso em outros países.

A página oficial reúne manuais separados para o telefone de tinta eletrônica e para o LCD conectado à traseira. Isso confirma que o módulo é tratado como componente próprio, com instruções e cuidados que vão além de uma capa comum.

Duas telas resolvem limitações diferentes

A proposta do A10 Ultra não tenta fazer a tinta eletrônica reproduzir tudo o que um OLED ou LCD já faz bem. A Hisense preserva o painel econômico e legível para texto, depois oferece uma segunda peça quando a tarefa pede cor e movimento.

Essa solução também cobra seu preço em rotina: é preciso guardar, carregar e encaixar o acessório, além de virar o telefone para mudar de painel. A conveniência só poderá ser avaliada quando testes mostrarem a firmeza dos ímãs, a velocidade da troca e o consumo com os dois modos.

Na frente, uma página de tinta eletrônica permanece visível com pouco consumo. Quando o conteúdo pede cor e movimento, o dono encaixa o LCD na traseira e vira o A10 Ultra na mão.