A Agência Espacial Brasileira publicou em 28 de janeiro de 2026 que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, assinou na quinta-feira 22 um contrato com a empresa norte-americana SpaceLaunch para lançar o satélite Amazonia-1B. O voo está previsto para 2027, no foguete Vega-C da Avio, a partir do Centro Espacial Europeu em Kourou, na Guiana Francesa.
A nota oficial traz foto do satélite em integração e testes no INPE. Não é um lançamento que já aconteceu, e o diretor do INPE, Antonio Miguel Vieira Monteiro, afirmou no comunicado que o instituto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a AEB e a Finep trabalharam ao longo de 2025 para viabilizar o contrato, que quatro propostas foram avaliadas primeiro no critério técnico e depois no valor, e que o instituto está satisfeito com o Vega-C e com o suporte da SpaceLaunch.
A Agência Espacial Brasileira anunciou em 28 de janeiro de 2026 a assinatura do contrato entre o INPE e a SpaceLaunch para lançar o Amazonia-1B no foguete Vega-C, em Kourou, com voo previsto para 2027. O comunicado reúne declarações de Antonio Miguel Vieira Monteiro, do INPE, Marco Antonio Chamon, da AEB, e Marcy Mabry, da SpaceLaunch, que tratou a missão como continuidade do Amazonia-1.
A nota relaciona o satélite à missão AQUAE, voltada a recursos hídricos, à SABIA-Mar, feita com a Argentina, e ao Programa Nacional de Atividades Espaciais 2022-2031. Na data do anúncio, o equipamento ainda passava por montagem e testes no INPE, portanto o contrato não significa que o lançamento já ocorreu nem oferece internet para residências.
A órbita terrestre baixa permite que satélites observem a superfície a uma distância menor que a de equipamentos geoestacionários. Sem uma nova atualização da AEB ou do INPE, 2027 continua sendo o ano oficial do voo.
Monteiro assina na quinta
A CEO da SpaceLaunch, Marcy Mabry, disse que a equipe já havia apoiado o Amazonia-1 e que trabalhará com INPE e Avio. Segundo a AEB, o Amazonia-1B fornece observações para a missão AQUAE, de monitoramento de recursos hídricos no Brasil, e entra como contribuição brasileira na missão internacional SABIA-Mar, em parceria com a Argentina, para oceano, água continental e zona costeira.
O presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, afirmou que o satélite reutiliza a plataforma multimissão desenvolvida para várias missões nacionais e que o episódio reforça a capacidade de monitorar o território. A nota alinha o projeto ao Programa Nacional de Atividades Espaciais 2022 a 2031, planejamento de política espacial, não uma imagem de desmatamento no seu celular amanhã.
Os dados de um satélite só chegam a aplicativos e órgãos públicos depois que os instrumentos são calibrados, a órbita se estabiliza e os arquivos começam a ser distribuídos. O contrato de lançamento é uma etapa desse caminho, não a entrega imediata de novos mapas.
Reportagens especializadas citam uma órbita polar heliossíncrona para o Amazonia-1B. Nesse tipo de trajetória, o satélite passa perto dos polos e observa cada região em horários solares semelhantes, condição útil para comparar imagens da Terra. A nota da AEB usada como fonte principal não informa massa, altitude ou o nome do equipamento de imagem.
Kourou, Avio e a SpaceLaunch
A assinatura do contrato não significa que o foguete já decolou. O projeto também não oferece internet por satélite: o Vega-C é o lançador europeu que levará o equipamento ao espaço, e a SpaceLaunch é a empresa norte-americana contratada para organizar o serviço.
Kourou é o local do lançamento, não uma base brasileira. O Centro Espacial Europeu fica na Guiana Francesa e aparece na nota da AEB como ponto de partida para 2027, ainda sem mês definido.
A AEB não publica, nesta nota, o valor em real do contrato. Reportagem internacional falou em cifra a partir de documento de compras, e enquanto a agência não colocar o número no comunicado este texto não trata o valor como fato oficial.
Também não há data de mês em 2027, só o ano. Lixo espacial, trânsito em LEO e disputa de constelação comercial não são esta pauta: o Amazonia-1B é satélite de observação, em continuidade do Amazonia-1, e misturar com kit de internet no quintal mistura dois mercados e dois órgãos.
A Finep e o MCTI entram no comunicado como quem viabilizou orçamento e execução. Sem valor oficial na nota da AEB, o leitor fica com o fato institucional: houve licitação com quatro propostas e houve escolha técnica antes do preço, o bastante para não tratar o contrato como aceno político sem papel.
Para que o custo seja tratado como dado oficial, a agência ainda precisa publicar o valor. A plataforma multimissão citada por Chamon é a estrutura básica do satélite, também chamada de ônibus satelital, desenvolvida no país para ser reutilizada em diferentes projetos. Isso não torna o lançamento brasileiro, já que o foguete e a base são estrangeiros.
O foguete é europeu, o porto é francês na Guiana, a corretora de lançamento é norte-americana. A soberania que a nota descreve está no satélite e no uso do dado, não no veículo, e Monteiro trata o Vega-C e o suporte da SpaceLaunch como a escolha que fechou a licitação.
Os testes antes da viagem
A nota publicada pela AEB em janeiro mostrava o satélite em integração e testes no Brasil. O voo segue previsto para 2027 na Guiana Francesa, mas o calendário depende da conclusão dessa preparação e da campanha de lançamento.
Sem nota nova da AEB ou do INPE alterando a data, 2027 permanece o ano oficial. Quem acompanha tecnologia espacial no Brasil precisa de três papéis: a nota da AEB, o acompanhamento do INPE e, quando existir, o comunicado de campanha em Kourou.
Aplicativos de mapas e serviços de monitoramento de água só poderão usar dados do Amazonia-1B depois do lançamento e do início das operações. A observação de água, costa e oceano depende de uma série de imagens produzida após a calibração dos instrumentos e a estabilização da órbita.
O Amazonia-1 já deixou uma continuidade. O 1B, no texto da AEB, amplia essa série e soma a costa com a Argentina, e prometer imagem de amanhã no aplicativo antes do comissionamento é vender o programa no lugar do arquivo.
Depois da assinatura vêm integração, teste, campanha de lançamento e, se o voo ocorrer, comissionamento em órbita. Cada etapa tem nota própria, e até a AEB ou o INPE publicarem outra o contrato de janeiro e a janela de 2027 continuam sendo o que a agência escreveu.
A foto da nota de 28 de janeiro mostra o satélite em integração e testes no INPE, não na rampa de Kourou. Monteiro descreve o trabalho de 2025 com MCTI, AEB e Finep, as quatro propostas na ordem técnica e depois no valor, e a satisfação com o Vega-C e com o suporte da SpaceLaunch.
Mabry lembra o Amazonia-1 e promete o trabalho com INPE e Avio. Chamon fala da plataforma multimissão e do território, e a AQUAE e a SABIA-Mar, água no Brasil e costa com a Argentina, só viram série temporal depois do comissionamento.
O foguete está contratado, mas o Amazonia-1B ainda precisa concluir os testes no solo. O lançamento permanece marcado para 2027.
