← Artigos

Português

Microduck é robô de US$ 399 que aprende movimentos em simulação

Com 25 cm de altura, o pato robótico cabe na mesa e leva experimentos de locomoção para fora do laboratório.

Robô bípede Microduck da Pollen Robotics
Pollen Robotics e Hugging Face

Notícia

A Pollen Robotics, equipe de robótica da Hugging Face, abriu nesta quinta-feira (27) a pré-venda do Microduck por US$ 399, antes de impostos e frete. A fabricante pretende entregar as primeiras unidades antes do Natal de 2026 na América do Norte, na Europa e no Reino Unido, sem anúncio de venda no Brasil.

O robô bípede foi criado para andar, cair, levantar e carregar objetos, em vez de permanecer parado sobre a mesa. A proposta é permitir que estudantes e desenvolvedores treinem movimentos no computador e depois executem o resultado no aparelho real, uma rotina que costuma exigir plataformas maiores e mais caras.

O anúncio da Pollen Robotics detalha a proposta de treinar movimentos em simulação, enquanto a ficha para a imprensa separa o software aberto dos desenhos mecânicos e eletrônicos que permanecerão fechados.

As reportagens do The Verge e do TechCrunch confirmam o lançamento, o preço de US$ 399 e as demonstrações do Microduck publicadas em 27 de agosto.

Um pato de 25 centímetros

Segundo a ficha técnica da Pollen Robotics, o Microduck mede 25 cm de altura, tem 14 cm de largura e pesa menos de 800 gramas. O corpo reúne 15 motores distribuídos pelas pernas, cabeça e pescoço, além de um bico articulado que se fecha para pegar itens no chão.

A empresa diz que o robô sai da caixa com sete movimentos treinados: andar, sentar e levantar, chutar, agarrar, usar pequenos patins e voltar a ficar em pé depois de algumas quedas. Um controle acompanha o produto, por isso essas ações podem ser testadas antes que o dono escreva qualquer linha de código.

Os vídeos de lançamento mostram unidades carregando uma meia e uma caneta, seguindo um ponto de laser e chutando uma bola. Essas cenas demonstram comportamentos preparados pela fabricante, mas não equivalem a uma avaliação independente da precisão, da resistência às quedas ou da capacidade de reconhecer objetos.

O formato pequeno não é apenas visual. A Pollen Robotics argumenta que uma tentativa malsucedida tende a terminar com um robô leve no chão, o que reduz o risco e o trabalho de reposicionar a máquina durante experiências repetidas de locomoção.

Câmera, laser e sensores de movimento

Para perceber o ambiente, o Microduck usa uma câmera frontal e um LiDAR compacto, sensor que mede distâncias com luz. A matriz de tempo de voo tem resolução de 8 por 8 pontos, enquanto uma luz indicadora avisa quando a câmera está em uso.

Duas unidades de medição inercial, conhecidas pela sigla IMU, acompanham inclinação e movimento: uma fica no corpo e outra na cabeça. O conjunto ainda inclui microfones, alto-falante e duas antenas NFC, tecnologia de comunicação por aproximação colocada na cabeça e no bico.

O processamento fica a cargo do Rockchip RK3566, acompanhado de 1 GB de memória RAM e 32 GB de armazenamento. A empresa lista Wi-Fi e Bluetooth para conexão, mas informa que as versões dos rádios, a resolução e o campo de visão da câmera e o alcance do LiDAR ainda estão sendo definidos.

A bateria removível de 2.600 mAh segue o formato NP-F550, comum em equipamentos de fotografia e vídeo. A autonomia estimada pela Pollen Robotics é de cerca de uma hora, dependendo do uso, um número de fabricante que ainda precisa ser medido em condições independentes.

O treino começa no computador

O ponto central do Microduck é o aprendizado por reforço, técnica em que um programa tenta ações e recebe sinais de acerto ou erro até encontrar um comportamento mais eficiente. Em vez de repetir milhares de tombos no aparelho, o desenvolvedor pode fazer esse treino primeiro em uma simulação física no MuJoCo.

Depois, o movimento treinado é transferido para o robô, processo chamado de passagem da simulação para o mundo real. A equipe afirma que a mesma base permite ajustar o ambiente virtual, treinar novamente e publicar o comportamento para que outras pessoas o reproduzam.

A máquina executa a estratégia de movimento 50 vezes por segundo, de acordo com o material técnico. Isso não significa que ela invente uma ação sozinha: o resultado depende do ambiente virtual, dos objetivos definidos pelo programador e do treinamento feito antes da execução.

O pacote de desenvolvimento de software, conjunto de ferramentas usado para controlar e programar o Microduck, está no GitHub ao lado do ambiente de simulação e dos arquivos para aprendizado por reforço. O código usa a licença Apache 2.0, que permite estudar, modificar e redistribuir o software sob suas condições.

Código aberto não inclui as peças

A expressão código aberto se aplica ao software, não ao projeto completo do produto. A própria Pollen Robotics ressalta no material para a imprensa que os desenhos mecânicos e eletrônicos não serão publicados, portanto o anúncio não transforma o Microduck em hardware aberto que qualquer pessoa possa fabricar do zero.

Essa distinção também delimita o tipo de reparo e modificação possível. O usuário pode examinar e adaptar o programa que controla o robô, mas não recebeu os arquivos de engenharia necessários para reproduzir as placas, a carcaça ou o mecanismo das articulações.

A fabricante promete disponibilizar todo o conjunto de software antes do envio das primeiras unidades. Os repositórios públicos já existem, mas a chegada antecipada do código não confirma como a versão final do aparelho se comportará nem se todos os recursos anunciados estarão completos na entrega.

Quatro cores e três pacotes

O Microduck pode ser reservado nas cores creme, grafite, lavanda e azul-céu. A caixa de US$ 399 inclui o robô, uma bateria, um cabo USB-C e o controle, sempre com impostos e transporte cobrados à parte conforme o destino.

A Pollen Robotics também oferece um pacote de carregador por US$ 39, com duas baterias e base dupla, e um conjunto de acessórios pelo mesmo preço, com apontador a laser, bola, patins e etiquetas NFC. Um pacote para desenvolvimento custa US$ 119 e acrescenta motores, cabos, ferramentas, baterias, etiquetas e crédito para serviços da Hugging Face.

Os valores são os anunciados nos Estados Unidos e não devem ser convertidos em preço brasileiro, já que o país não aparece entre os mercados iniciais. Também não há data confirmada para uma distribuição local, assistência técnica no Brasil ou homologação necessária para a venda regular de um produto com conexão sem fio.

Diversão antes do terminal

O Microduck ocupa uma faixa diferente dos robôs humanoides de laboratório: ele combina brinquedo controlado por gamepad, plataforma de programação e objeto de mesa. Sons gerados para cada unidade e movimentos de pato dão personalidade ao aparelho, enquanto motores e sensores deixam os mecanismos visíveis para quem quer estudar como ele se equilibra.

Essa combinação não elimina a curva de aprendizado. Treinar uma ação exige compreender o simulador, configurar recompensas e avaliar se o comportamento virtual continua seguro no mundo físico, ainda que a escala do robô torne as tentativas mais acessíveis do que em uma máquina de tamanho humano.

A cobertura independente publicada no dia do anúncio confirmou o preço, as quatro cores e as demonstrações de caminhada, recuperação e uso do bico. Até que unidades finais cheguem a compradores e avaliadores, autonomia, durabilidade, qualidade dos sensores e facilidade de treinamento continuam baseadas no material da Pollen Robotics.

Na mesa, o Microduck começa como um pato guiado pelo controle; ao abrir o simulador, você decide qual será o próximo movimento levado para as pernas do robô.