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Take-Two pede dados da Microsoft e do Discord após vazamento de GTA VI

A dona da Rockstar foi à Justiça para tentar ligar contas, endereços IP e arquivos ao grupo CyberLeek antes da apresentação do jogo na Netflix.

Jason Duval em uma cena oficial de Grand Theft Auto VI
Rockstar Games via The Verge

Notícia

A Take-Two Interactive pediu à Justiça dos Estados Unidos que Microsoft e Discord entreguem registros capazes de identificar quem publicou vídeos ainda inéditos de Grand Theft Auto VI. Os dois pedidos foram protocolados em 20 de agosto de 2026 no Tribunal Distrital do Sul de Nova York e usam uma ferramenta da lei americana de direitos autorais, a intimação prevista pela DMCA.

Os documentos miram contas e servidores associados ao nome CyberLeek, usado como marca d’água nos clipes que circularam antes da apresentação estendida do jogo. A empresa não afirma no processo que já conhece a pessoa responsável. Ela pede dados justamente para tentar descobrir quem controlava as contas, de onde elas eram acessadas e quais serviços estavam ligados a elas.

Os pedidos primários estão nos processos 1:26-mc-00421, dirigido à Microsoft, e 1:26-mc-00422, dirigido ao Discord. Os documentos foram protocolados no Sul de Nova York em 20 de agosto de 2026 e descrevem o material, as contas investigadas e o objetivo declarado de identificar supostos infratores.

A cobertura do The Verge confirma o prazo de 4 de setembro, resume os vídeos atribuídos a CyberLeek e registra a resposta posterior do diretor de tecnologia do Xbox. O Kotaku detalha os registros de GitHub, OneDrive, Xbox e Discord solicitados pela Take-Two.

A 4PDA repercutiu o caso em 24 de agosto com foco na reação da Rockstar. O relato sobre funcionários irritados e frustrados vem da Bloomberg e foi reproduzido pelo PC Gamer.

Dois processos para duas plataformas

O pedido dirigido à Microsoft recebeu o número 1:26-mc-00421. A Take-Two aponta um repositório do GitHub que teria hospedado material protegido de GTA VI e solicita registros suficientes para identificar os responsáveis. Como a Microsoft controla o GitHub e também opera Xbox e OneDrive, a lista vai além do nome cadastrado em uma conta.

A petição cita endereço de e-mail, telefone, endereços IP de cadastro e de acesso, identificadores de conta e conexões com outros serviços. Também pede registros internos de uma investigação da própria Microsoft sobre CyberLeek e informações relacionadas a arquivos ou ferramentas que possam ter aparecido nos dispositivos associados.

O segundo caso, 1:26-mc-00422, é dirigido ao Discord. O documento cita diretamente as contas CYBERLEEK, CINEMATICROCKSTAR e Surfer24k, incluindo nomes substitutos atribuídos a esta última, e relaciona servidores nos quais o conteúdo teria sido publicado ou discutido.

A abrangência chama atenção porque o texto não se limita a pedir o cadastro de um perfil. A Take-Two solicita registros de usuários que participaram das comunidades listadas durante o período investigado, além de mensagens, acessos, conexões e metadados que possam ajudar a separar quem apenas viu o material de quem o obteve e distribuiu.

Pedido judicial não significa culpa

A intimação da DMCA serve para identificar um suposto infrator em casos de copyright. Ela não é uma sentença e não transforma automaticamente cada integrante de um servidor em responsável pelo vazamento. Os pedidos apresentam a versão da Take-Two e ainda dependem da resposta das plataformas e da análise do material obtido.

Nos documentos, os advogados declaram que as informações serão usadas para proteger os direitos da companhia. O pedido à Microsoft identifica GTA VI como software proprietário e descreve o material como conteúdo audiovisual, arte, imagens, diálogos e outros elementos criativos ainda controlados pela editora.

A juíza Jennifer L. Rochon autorizou a emissão da intimação dirigida à Microsoft em 21 de agosto, segundo o andamento público do CourtListener. A data de 4 de setembro aparece como prazo solicitado para a produção dos registros. Isso não significa que nomes já tenham sido revelados nem que as empresas tenham entregado tudo o que foi pedido.

Microsoft e Discord podem avaliar a validade, o alcance e as obrigações legais antes de responder. A reportagem do The Verge informa que as duas empresas não haviam respondido inicialmente ao pedido de comentário; depois, o diretor de tecnologia do Xbox, Scott Van Vliet, disse que a companhia trabalhava com Take-Two e Rockstar para proteger propriedade intelectual.

O que apareceu nos vídeos

Os clipes atribuídos a CyberLeek mostram o protagonista Jason Duval em atividades que incluem dirigir, pilotar um avião, usar um taser e atacar um personagem com uma chave inglesa. Em uma das cenas, disparos formam a palavra LEEK numa parede, detalhe usado pelas reportagens para sustentar que o responsável podia controlar uma versão jogável, e não apenas reproduzir um vídeo promocional pronto.

Essa conclusão ainda tem limite. Um vídeo com comandos específicos indica acesso a uma build, uma versão em desenvolvimento, mas não revela se ela veio de dentro da Rockstar, de um parceiro, de uma máquina comprometida ou de outro ponto da cadeia. Também não prova que o arquivo disponível ao responsável contenha o jogo inteiro.

A Take-Two tenta reconstruir esse caminho cruzando repositório, armazenamento na nuvem, contas do Xbox, dispositivos e conversas no Discord. O volume de dados solicitado mostra uma investigação ampla, mas os documentos públicos não explicam qual evidência liga cada pessoa ou comunidade citada à obtenção original dos arquivos.

Rockstar ainda procura a origem

A 4PDA resumiu a ofensiva judicial com a afirmação de que a Rockstar estava furiosa. O relato mais detalhado vem de Jason Schreier, da Bloomberg, repercutido pelo PC Gamer: líderes e funcionários estariam irritados e frustrados porque a empresa reforçou a segurança depois do grande vazamento de 2022 e, mesmo assim, novos vídeos escaparam.

Esse estado de ânimo é informação atribuída a fontes internas, não comunicado oficial da Rockstar. A companhia não publicou a identidade de CyberLeek nem explicou como o acesso aconteceu. O cenário descrito é de uma equipe perto da fase final de produção, obrigada a lidar outra vez com material inacabado circulando fora do calendário.

O episódio anterior expôs dezenas de vídeos de uma versão muito inicial do jogo e levou a mudanças de segurança e de rotina. A repetição ajuda a explicar a reação relatada, mas não permite concluir que os dois casos tenham a mesma origem ou que o método usado em 2026 repita o ataque de quatro anos antes.

Apresentação e lançamento continuam marcados

Apesar da investigação, a apresentação estendida de GTA VI continua prevista para 27 de agosto na Netflix, com publicação posterior no YouTube e no site oficial. O jogo completo permanece marcado para 19 de novembro de 2026 no PlayStation 5 e nos consoles Xbox Series.

A manutenção do calendário separa duas frentes. A equipe jurídica tenta identificar a origem e reduzir a circulação dos clipes, enquanto marketing e desenvolvimento seguem com a apresentação oficial. Até agora, nenhuma das fontes consultadas informou adiamento causado pelo vazamento.

Para o público, a diferença entre os clipes e a apresentação oficial será o contexto. Vídeos vazados podem mostrar interface incompleta, erros, ferramentas internas ou cenas sem a edição planejada para explicar sistemas do jogo. A versão da Netflix deve organizar a demonstração e deixar claro o que a Rockstar considera representativo do produto perto do lançamento.

Dados pedidos atingem mais gente que um perfil

O aspecto mais sensível do caso está no alcance das informações solicitadas. Endereço IP, telefone, e-mail, identificadores de máquina, conexões com Google ou Xbox e conteúdo de OneDrive podem ligar uma conta digital a uma pessoa. Ao mesmo tempo, participação num servidor grande não prova envolvimento na obtenção de um arquivo.

Por isso, a resposta das plataformas e eventuais contestações serão importantes. Uma produção ampla demais pode incluir pessoas que apenas acompanharam a conversa, jornalistas, moderadores ou criadores que comentaram vídeos já espalhados. O pedido judicial procura evidências; a responsabilidade individual só pode ser avaliada depois de separar essas funções.

Um dos servidores mencionados está relacionado ao criador DarkViperAU, conhecido por vídeos sobre GTA. Ele declarou não saber quem era CyberLeek nem ter ligação com a origem do material, segundo a cobertura da IGN. A presença do endereço do servidor no processo mostra onde a Take-Two quer procurar registros, não uma acusação automática contra o dono do canal.

O que está confirmado

Está confirmado que a Take-Two protocolou dois pedidos em 20 de agosto, que Microsoft e Discord são os destinatários e que os processos buscam identificar supostos infratores ligados a material de GTA VI. Também estão públicos os nomes de contas, o repositório do GitHub citado e o prazo de 4 de setembro solicitado nos documentos.

Não está confirmado quem controla CyberLeek, como a versão do jogo foi obtida, se houve invasão direta à Rockstar ou quais registros as plataformas conseguirão produzir. Também não existe decisão pública responsabilizando as pessoas citadas. A investigação pode apontar um autor, vários participantes ou apenas uma cadeia de compartilhamento posterior.

Os apelidos agora estão diante do tribunal, mas a identidade de CyberLeek continua desconhecida. A próxima etapa depende dos registros que Microsoft e Discord puderem entregar e dos limites que a Justiça aplicar ao pedido.