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Xiaomi apresenta Xring O3 com AnTuTu acima de 5 milhões

O chip próprio de três nanômetros estreia no Xiaomi 18 Fold e no Pad 9 Pro Max em setembro na China.

Materiais oficiais dos chips Xring da Xiaomi, com destaque para o Xring O3
Xiaomi / The Tech Outlook

Notícia

A Xiaomi apresentou nesta segunda-feira (24) o Xring O3, seu segundo processador próprio de alto desempenho para celular. O anúncio saiu no Weibo oficial da marca e na conferência de chips da empresa em Pequim, com números de laboratório e um plano de estreia em produtos chineses.

Segundo a Xiaomi, o chip marcou 5.228.014 pontos no AnTuTu V11 e seria o primeiro SoC móvel a ultrapassar cinco milhões nessa versão do teste. SoC é o conjunto que reúne processador, gráficos e outros blocos num único pacote. A pontuação veio da fabricante e ainda precisa de confirmações independentes em aparelhos de varejo.

No comunicado no Weibo, a Xiaomi atribuiu ao Xring O3 5.228.014 pontos no AnTuTu V11, CPU de dez núcleos e suporte a LPDDR6 com 113,8 GB/s.

A cobertura do Android Headlines e do The Tech Outlook confirma a estreia no Xiaomi 18 Fold e no Pad 9 Pro Max em setembro na China.

Não há preço, data de pré-venda nem disponibilidade confirmados para o Brasil. O recado imediato é técnico e estratégico: a Xiaomi quer depender menos da Qualcomm e da MediaTek nos aparelhos mais caros da casa.

A disputa de chips já inclui Snapdragon, Dimensity, Exynos e os processadores da Apple. Ao colocar o Xring O3 no centro do discurso, a Xiaomi tenta transformar o silício próprio em argumento de produto, e não apenas em peça de marketing escondida na ficha.

Dez núcleos sem núcleo de economia

A Xiaomi abandonou o desenho clássico que mistura núcleos fortes e núcleos econômicos. O Xring O3 traz dez núcleos de alto desempenho e, no material da empresa, o teste multicore ultrapassou 15 mil pontos, com ganho declarado de 60% sobre o Xring O1.

Essa escolha busca velocidade em picos, mas aumenta a pressão sobre temperatura e bateria quando a carga fica alta por muito tempo. Em um telefone fino, o resultado cotidiano depende do sistema de refrigeração e do quanto o software reduz a potência depois dos primeiros minutos.

O chip é fabricado no processo N3P da TSMC, de três nanômetros, e a Xiaomi fala em cerca de 24 bilhões de transistores numa área de 133 mm². Transistores menores permitem mais circuitos no mesmo espaço, o que ajuda desempenho e eficiência, embora o ganho real só apareça depois de testes sustentados.

A geração anterior, o Xring O1, já havia estreado a aposta da Xiaomi em silício interno. O O3 entra como tentativa de liderança de arquitetura, não só de empatar números de laboratório com rivais feitos sob encomenda.

Gráficos com upscaling e frames inventados

A GPU, o bloco gráfico, é a Mali-G2 Ultra NX de 16 núcleos. A Xiaomi alega 4.567 pontos no 3DMark Steel Nomad Lite, cerca de 85% acima da geração anterior, e 3.628 pontos no Solar Bay Extreme, com vantagem declarada também diante de rivais de outros fabricantes.

O material descreve hardware neural dentro da GPU para aumentar resolução e gerar quadros extras. Em um exemplo da empresa, o jogo renderiza em 540p, sobe para 1080p e consome cerca de 20% menos energia do que gravar nativo em 1080p; outro modo transforma 60 fps em 120 fps.

Esses recursos podem deixar o movimento mais fluido, mas também inventam informação visual. Quem joga competitivamente precisa saber se o atraso de entrada sobe e se a imagem fica artificial em textos, HUDs e bordas finas.

Sem testes externos, os percentuais de 85% e 182% citados em materiais de lançamento devem ser lidos como alegação da fabricante. O número que importa no bolso é quantos minutos o telefone segura o quadro alto antes de esquentar e cair o desempenho.

LPDDR6 e o primeiro passo nessa memória

A Xiaomi afirma que o Xring O3 é o primeiro processador móvel a usar memória LPDDR6, com largura de banda máxima de 113,8 GB/s, cerca de 48% acima do Xring O1. LPDDR6 é o padrão novo de memória para celulares, publicado pela JEDEC em julho de 2025.

Mais banda alimenta melhor a unidade de inteligência artificial e os gráficos quando muitos dados precisam chegar ao mesmo tempo. Em uso leve, a diferença pode passar despercebida; em modelos locais e jogos pesados, a memória costuma ser o gargalo.

Reportagens especializadas lembram que Samsung e SK Hynix já produzem LPDDR6 em escala. O anúncio da Xiaomi coloca o Xring O3 como primeiro SoC móvel a integrar o padrão em produto anunciado para venda, o que será checado quando o 18 Fold chegar às lojas chinesas.

NPU redesenhada para o MiMo no aparelho

A NPU, unidade pensada para redes neurais, foi refeita para o modelo de linguagem MiMo da própria Xiaomi. A empresa cita 200 TOPS de potência tensorial e 3,13 TFLOPS em operações vetoriais, com ganho declarado de 45% em IA no aparelho.

Além da NPU, a Xiaomi diz ter colocado aceleração de IA em CPU, GPU, ISP de câmera e outros blocos. O discurso é de processar mais tarefas no celular, sem mandar tudo para a nuvem, o que reduz latência e depende menos de sinal de dados.

Ainda assim, 200 TOPS são um número de laboratório. O que importa para o comprador é se resumo de áudio, edição de foto e assistente continuam rápidos com o telefone quente e a bateria pela metade.

A Xiaomi também apresentou, no mesmo ciclo de comunicação, chips auxiliares da família Xring voltados a modelo de linguagem e direção assistida. Eles reforçam a narrativa de plataforma própria, mas o produto de celular no curto prazo é o O3.

Estreia no Xiaomi 18 Fold e no Pad 9 Pro Max

A Xiaomi confirmou que o Xring O3 estreia no Xiaomi 18 Fold e no Xiaomi Pad 9 Pro Max, com lançamento previsto para setembro na China. Coberturas especializadas citam volume inicial limitado do dobrável, mas metas exatas de produção não vieram detalhadas no comunicado curto do Weibo.

A Reuters observou que a Xiaomi segue investindo em silício próprio para controlar peças críticas da cadeia. Em teleconferência anterior, a empresa já havia dito que dispositivos com o Xring O1 passaram de um milhão de unidades enviadas, incluindo telefones, tablets e relógios.

O calendário chinês de setembro coloca o O3 em choque simbólico com a corrida de chips de dois nanômetros que Qualcomm e MediaTek prepararam para o fim do ano. Três nanômetros não é o nó mais avançado do mercado, e a Xiaomi tenta compensar com arquitetura e memória.

O que o anúncio ainda não fecha

O pacote divulgado mistura arquitetura ousada, memória nova e promessas agressivas de IA. Falta o teste fora da casa: quanto o telefone segura de desempenho depois de 20 minutos de jogo, quanto a bateria cai com o modelo local ligado e se o AnTuTu de cinco milhões se confirma em unidades de loja.

Para quem acompanha o mercado brasileiro, o Xring O3 é um sinal de que a disputa de chips de celular ficou mais lotada, não um produto à venda na prateleira local. O próximo passo verificável é o lançamento chinês de setembro e as primeiras medições independentes do Xiaomi 18 Fold.

Quem quiser ver o chip longe do slide precisa esperar o dobrável de setembro e as primeiras medições feitas fora do laboratório da Xiaomi.