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Xiaomi aumenta preços de celulares no Japão

O POCO X8 Pro mais barato sobe cerca de 33%, enquanto celulares e tablets da marca recebem novos valores a partir de setembro.

Xiaomi 17T Pro nas cores azul, violeta e preta
Xiaomi

Notícia

A Xiaomi Japan anunciou em 21 de agosto de 2026 que aumentará os preços sugeridos de 11 versões de celulares e tablets vendidos no Japão. Os novos valores começam a valer em 1º de setembro para produtos Xiaomi e Redmi e em 4 de setembro para os modelos da POCO.

O reajuste chega a 20 mil ienes nos celulares e atinge Xiaomi 17T Pro, POCO X8 Pro e POCO X8 Pro Max. A empresa atribui a decisão à alta da memória e de outros custos dos produtos, mas o comunicado não anuncia mudança de preço no Brasil nem em qualquer mercado fora do Japão.

O aviso oficial da Xiaomi Japan apresenta a justificativa, os 11 preços e as duas datas de aplicação. A ITmedia Mobile confirma a tabela em japonês, enquanto o Android Authority repercutiu o caso em 24 de agosto e alertou que aumentos fora do Japão ainda são expectativa.

A ficha global do Xiaomi 17T Pro confirma memória LPDDR5X, armazenamento UFS 4.1 e as configurações de capacidade. A Reuters registra que a pressão de componentes já reduziu a margem do negócio de celulares no segundo trimestre.

Vinte mil ienes a mais no celular

As duas versões japonesas do Xiaomi 17T Pro ficam 20 mil ienes mais caras em 1º de setembro. O modelo com 12 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento passa de 119.800 para 139.800 ienes, enquanto a opção de 512 GB sobe de 139.800 para 159.800 ienes.

O aumento nominal é igual, mas o peso varia conforme o preço antigo. Na versão de 256 GB, a alta fica perto de 16,7%; na de 512 GB, chega a aproximadamente 14,3%. Essas porcentagens são cálculos sobre a tabela publicada pela Xiaomi Japan, não índices apresentados pela fabricante.

A memória RAM mantém temporariamente os dados usados por aplicativos e pelo sistema, enquanto o armazenamento guarda fotos, vídeos, programas e arquivos mesmo depois de o aparelho ser desligado. Os dois componentes aparecem na justificativa da empresa porque cada configuração reúne uma quantidade definida de memória e armazenamento.

A ficha global do Xiaomi 17T Pro informa memória LPDDR5X e armazenamento UFS 4.1, padrões voltados a transferências rápidas. O celular também tem processador MediaTek Dimensity 9500, tela AMOLED de 6,83 polegadas e bateria de 7.000 mAh, mas essas especificações de marketing não medem o impacto financeiro de cada componente no custo final.

POCO básico sente a maior alta

O POCO X8 Pro recebe os mesmos 20 mil ienes de aumento em todas as três configurações japonesas. A opção com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento vai de 59.980 para 79.980 ienes, uma alta de aproximadamente 33,3% calculada sobre o preço anterior.

A versão com 8 GB e 512 GB passa de 69.980 para 89.980 ienes, cerca de 28,6% a mais. Já o modelo com 12 GB e 512 GB sobe de 74.980 para 94.980 ienes, o equivalente a um reajuste aproximado de 26,7%.

O POCO X8 Pro Max também ganha 20 mil ienes nos dois tamanhos de armazenamento. A configuração de 12 GB e 256 GB muda de 79.980 para 99.980 ienes, enquanto a de 12 GB e 512 GB sai de 89.980 para 109.980 ienes.

A aplicação em 4 de setembro dá aos aparelhos POCO três dias a mais com a tabela antiga em relação aos produtos Xiaomi e Redmi. A data diz respeito ao preço sugerido no Japão; estoque, promoção e condições de cada loja ainda podem produzir valores diferentes na compra.

O tamanho relativo do reajuste ajuda a explicar por que o modelo mais barato chama atenção. Acrescentar a mesma quantia a todos os celulares preserva uma diferença nominal entre versões, porém consome uma parcela maior do preço de entrada e reduz a vantagem associada à linha POCO.

Tablets sobem menos

Quatro versões de tablets também entram na mudança, com aumentos entre 2 mil e 10 mil ienes. O Xiaomi Pad 8 Pro com 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento passa de 119.800 para 129.800 ienes, enquanto a opção com 8 GB e 128 GB sobe de 89.980 para 94.980 ienes.

Na linha Redmi, o Pad 2 Pro com 6 GB e 128 GB vai de 42.980 para 44.980 ienes. O Redmi Pad 2 com 4 GB e 128 GB muda de 27.980 para 30.980 ienes, aumento de 3 mil ienes.

A tabela não explica por que os tablets receberam acréscimos menores do que os celulares. Quantidade de memória, contratos de fornecimento, margem e estoque podem influenciar um preço, mas atribuir a diferença a um desses fatores seria inferência sem confirmação da Xiaomi.

Também não há conversão para real porque a fabricante não anunciou esses reajustes no Brasil. Converter o iene pela cotação do dia criaria apenas uma referência cambial, sem impostos, operação local, garantia, distribuição ou política comercial brasileira.

Memória aperta a conta da fabricante

A Xiaomi afirma que vinha absorvendo aumentos para manter preços competitivos, mas que a alta recente deixou de caber apenas nos esforços internos. Essa é a explicação oficial para a nova tabela japonesa; o comunicado não apresenta notas fiscais de componentes nem separa quanto do reajuste corresponde à memória.

Os resultados do segundo trimestre dão contexto independente à pressão. Segundo reportagem da Reuters publicada em 18 de agosto, a receita da divisão de smartphones da Xiaomi caiu 7,5% em um ano, para 42,1 bilhões de yuans, e a margem bruta do negócio recuou de 11,5% para 8,5%.

A mesma reportagem informa que o lucro líquido ajustado da companhia caiu 42,6%, para 6,2 bilhões de yuans. O presidente William Lu disse após o balanço que os custos de memória permaneceram em níveis historicamente altos no trimestre, embora o ritmo de aumento tenha começado a desacelerar.

A Omdia estima que a Xiaomi enviou 31,2 milhões de celulares no período, queda anual de 26%. Mais da metade dos aparelhos da marca custava menos de 200 dólares, segundo a empresa de pesquisa, condição que deixou a fabricante mais exposta à inflação da memória entre as cinco maiores vendedoras.

Envio não é o mesmo que venda ao consumidor. A métrica acompanha unidades remetidas ao canal de distribuição e ajuda a observar a produção e o estoque, mas não permite afirmar que todos esses aparelhos chegaram às mãos de compradores no mesmo trimestre.

Alta já aparece na vitrine

O reajuste japonês transforma a pressão de componentes em uma mudança visível para quem compra. Em vez de afetar somente um lançamento futuro, ele alcança modelos que já estavam no mercado e tinham uma referência de preço conhecida.

A cobertura do Android Authority, publicada em 24 de agosto, destaca que algumas versões ficam perto de 25% mais caras, embora o caso de entrada do POCO X8 Pro ultrapasse essa marca. O veículo também observa que uma eventual repetição em outros países é expectativa, não anúncio confirmado pela Xiaomi.

Esse limite é importante para o leitor brasileiro. A Xiaomi vende produtos por canais oficiais e parceiros no país, porém a mensagem da subsidiária japonesa lista valores em ienes, datas locais e modelos disponíveis naquele mercado; não há base para aplicar automaticamente a mesma diferença às lojas brasileiras.

O próprio Xiaomi 17T Pro tem configurações globais de 256 GB, 512 GB e 1 TB, mas a tabela japonesa citada no anúncio cobre apenas duas delas. Isso mostra por que nomes iguais não garantem catálogo, preço ou condição idênticos em todos os países.

A fabricante também disse estar preparando o preço de um novo celular que será anunciado no Japão na semana seguinte com a intenção de torná-lo acessível, sem identificar o modelo na mensagem sobre o reajuste. Relacionar essa promessa a um aparelho específico continua no campo da especulação até uma apresentação oficial.

No Japão, quem estava comparando um POCO ou Xiaomi ganhou duas datas para decidir antes da troca de etiqueta. No Brasil, a tabela continua a mesma até que a operação local anuncie uma mudança.